NASA Descobre na Lua Maior Cratera do Século Formada por Impacto
Durante uma verificação rotineira de dados orbitais, o especialista em processamento de imagem Robert Wagner deparou-se com uma anomalia visual marcante na superfície lunar: uma mancha luminosa monumental circundada por uma auréola escura de poeira e rochas ejetadas. A confirmação científica detalhada foi divulgada na revista Science Advances, atestando que se trata da maior cratera de impacto recém-formada alguma vez documentada na história moderna da observação do Sistema Solar.
Batizada oficialmente como McGetchin, em homenagem ao influente cientista planetário Tom McGetchin, a formação geológica é o resultado da colisão em alta velocidade de um fragmento cometário ou asteroide com dimensões estimadas entre o equivalente a um edifício de três a seis andares. O choque colossal ocorreu na borda oriental do satélite natural, próximo da bacia Crisium, tendo sido mapeado com precisão pelas equipas que operam as câmaras da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da NASA.
Dimensões colossais e energia devastadora
A escala da cratera McGetchin impressiona a comunidade científica global. As análises topográficas e os registos visuais confirmam métricas que superam qualquer evento similar observado nas últimas décadas:
- Diâmetro médio de 222 metros: extensão impressionante que cobre o comprimento equivalente a dois campos de futebol alinhados;
- Profundidade de 43 metros: concavidade íngreme capaz de acomodar confortavelmente três autocarros empilhados na vertical;
- Bordas e paredes acentuadas: inclinações que chegam a quase 40 graus em certos troços e bordos que se elevam oito metros acima do relevo pré-existente;
- Libertação energética descomunal: impacto estimado em 65 mil milhões de quilojoules de energia cinética.
Modelos de impacto planetário indicam que acontecimentos com esta magnitude catastrófica acontecem na Lua, em média, apenas uma vez a cada 100 a 130 anos. Trata-se, portanto, de uma oportunidade empírica única para os astrofísicos estudarem a dinâmica de colisões cósmicas quase imediatamente após o impacto.
A intrigante anomalia térmica de sete quilómetros
Para além da cavidade principal, o embate gerou repercussões geológicas extensas. Os instrumentos termais do orbitador detetaram uma gigantesca “mancha fria” com aproximadamente sete quilómetros de largura ao redor da cratera, onde as temperaturas durante a noite lunar caem cerca de oito a nove Kelvin abaixo do terreno adjacente.
“Esta descoberta demonstra o valor incomparável da recolha contínua de dados orbitais para compreender a evolução dinâmica da superfície lunar”, apontam os cientistas da missão.
A explicação física para esta discrepância reside no regolito lunar. A colossal onda de choque do impacto descompactou e dispersou as partículas superficiais de solo e rocha, enfraquecendo a condutividade térmica da região afetada e permitindo que o calor se dissipe no vácuo de forma substancialmente mais veloz.
Repercussões diretas para o futuro da exploração lunar
A deteção da cratera McGetchin transcende a curiosidade astronómica. Com o avanço do programa Artemis e os planos para estabelecer bases científicas permanentes e habitações modulares na superfície lunar, compreender a frequência real e os efeitos físicos deste tipo de colisão é imperativo para a engenharia de segurança.
A dispersão violenta de detritos e a modificação mecânica do terreno em raios de vários quilómetros oferecem dados empíricos cruciais para blindagens e infraestruturas, garantindo que a presença humana sustentada no satélite conte com margens de proteção calibradas por factos cósmicos reais.

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