Hubble Completa 200 Mil Órbitas e Caça Supernova Rara
Mesmo após mais de três décadas a rasgar a órbita baixa do nosso planeta, o veterano observatório espacial continua a escrever capítulos memoráveis na história da ciência contemporânea. O Telescópio Espacial Hubble alcançou recentemente o extraordinário marco de 200 mil voltas completas ao redor da Terra. Longe de se limitar a uma comemoração simbólica, o instrumento aproveitou a ocasião para apontar os seus espelhos para um dos quebra-cabeças mais fascinantes do cosmos: a medição precisa da taxa de expansão do Universo através de uma ilusão temporal gravítica.
A ilusão cósmica de MACS J0417 e a supernova Athena
Para comemorar o marco orbital, os cientistas da agência espacial direcionaram a instrumentação ótica e ultravioleta do Hubble para o massivo aglomerado de galáxias MACS J0417. No tecido do espaço-tempo, formações colossais com tamanha densidade funcionam como gigantescas lentes gravitacionais, curvando e multiplicando os feixes de luz emitidos por corpos celestes situados em planos muito mais distantes no fundo cósmico.
O grande objetivo desta observação é registar o reaparecimento previsto de uma supernova cataclísmica designada como Athena. Descoberta originalmente pelo Telescópio Espacial James Webb, esta explosão estelar gerou feixes luminosos que percorreram rotas espaciais com extensões e curvaturas distintas ao contornar o aglomerado MACS J0417. Como resultado direto da relatividade geral, o mesmo evento de destruição cósmica pode surgir aos nossos olhos repetidas vezes, com intervalos de meses ou até anos. Os astrofísicos estimam que os reflexos seguintes de Athena atinjam os sensores terrestres e espaciais no decorrer dos próximos meses, estendendo-se até ao primeiro trimestre de 2027.
Ao cronometrar a chegada exata das imagens repetidas de uma mesma supernova desviada pela gravidade, os investigadores conseguem calcular com precisão inédita a massa do aglomerado em primeiro plano e calibrar a Constante de Hubble, definindo quão depressa o tecido do Universo se está a distanciar de si próprio.
Três décadas e meia de números sem precedentes
Lançado no início da década de 1990, o observatório espacial acumula métricas de longevidade que continuam a impressionar os engenheiros aeroespaciais modernos:
- Mais de 8 mil milhões de quilómetros percorridos: uma distância cumulativa que equivale a centenas de viagens entre a Terra e o Sol.
- 1,7 milhão de registos científicos: um repositório observacional ininterrupto que alimenta estudos em todos os ramos da astrofísica contemporânea.
- Procura operacional extrema: as candidaturas de astrónomos por tempo de telescópio no Hubble superam a disponibilidade anual numa proporção de sete para um.
Uma máquina que recusa a reforma
Apesar de o espaço contar hoje com observatórios ultramodernos e infravermelhos como o James Webb, o Hubble permanece insubstituível para a comunidade internacional. A sua capacidade especializada de perscrutar o cosmos nos comprimentos de onda da luz visível e do ultravioleta — faixas do espetro que a atmosfera terrestre bloqueia em grande parte — transforma o veterano num parceiro fundamental em campanhas conjuntas. A busca contínua pelos ecos de Athena comprova que, com duzentas mil voltas ao planeta cumpridas, o telescópio ainda tem um papel insubstituível na decifração do destino final do Universo.

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